O universo feminino tanto intriga quanto confunde, qualquer um que procure respostas objetivas – é multifacetado, atraente e, não raro, doloroso.
O tormento de ser mulher aparece nos incômodos da famosa TPM (tensão pré-menstrual), que feito catástrofe da natureza passa a cada mês pela vida de cada uma de nós comprometendo nossa auto-estima, desgastando relacionamentos, e destruindo promessas. Revela-se na compulsão ou no repúdio pelo alimento, distúrbios tão “femininos”, que a primeira vista parecem se contrapor à idéia da mulher por excelência.
A dor surge também na propensão à depressões e nos sofrimentos marcados pela culpa. Na batalha diária de dar conta de demandas (profissional, afetiva, sexual, entre outras) para as quais nem sempre se está pronta.
Mas há também as delícias do ser mulher – possibilidades únicas de prazer e realização; a experiência arrebatadora da maternidade; além de maneias (insuspeitas para os homens) de desfrutar sua própria inteligência, sensualidade e capacidade empática.
Felizmente, em meio a atravessamentos da cultura, tempestades de hormônios, variações bioquímicas, transformações físicas e emocionais específicas da adolescência, gravidez e menopausa, inusitadas facetas da sexualidade, faltas, buscas, desejos nem sempre desvendados, dúvidas, altas doses de insegurança, adoráveis habilidades e inevitáveis tropeços ainda há espaço para adentrar a delicadeza. E, quem sabe, um dia, apostar em recomeços e revoluções.
O psiquismo feminino intrigou e confundiu até mesmo Sigmund Freud, que chegou a confessar, no fim da vida, que a mulher é um mistério para ele.
Se Freud, o criador da psicanálise, não conseguiu explicar os mistérios femininos quem sou eu para fazê-lo? Explicar o ser mulher é difícil, mas prometo que vou tentar.